Agosto 18 , 2008

As Veias Abertas da América Latina

Não, não é a primeira vez que falamos de Eduardo Galeano. E certamente também não será a última. O jornalista e escritor uruguaio tinha apenas 31 anos quando publicou a primeira edição do clássico “As Veias Abertas da América Latina”, sua obra mais famosa até hoje. Através de sua linguagem romântica, Galeano denuncia de forma ácida a história de exploração extrangeira da América Latina desde os tempos da chegada das primeiras caravelas comandadas por Colombo.

Quem nos conta mais sobre As Veias Avertas… é o colega Wladmir Machado, bibliotecário e graduando em História de Nova América (GO), que fez uma ótima resenha sobre o livro e gentilmente nos enviou para publicação no blog. Baixe aqui.

Agosto 15 , 2008

Telesur: televisão e integração na América Latina

Eu e o Davi concluímos nossa monografia de graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Versamos sobre a televisão como um fator de integração latino-americana através do estudo do projeto político da emissora multi-estatal Telesur ou Telesul em português, concebida pelo governo venezuelano e que tem como sócios também os governos da Argentina, Uruguai, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua. Leia o trabalho inteiro aqui!

Título: TELESUL: UM PROJETO DE TELEVISÃO COMO FATOR DE CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE LATINO-AMERICANA

Autores: Davi Lopes Gentilli e Vitor Taveira Rocha

RESUMO

Esse projeto tem como objeto a Telesul, uma emissora de televisão multi-estatal latino-americana. Analisa o contexto político e social em que ela é criada e quais os ideais que a impulsionaram. Estuda a televisão como fator importante na contituição das identidades locais e também a mídia do ponto de vista de sua estrutura e programação. Relaciona a Telesul com a criação de uma comunidade imaginada na América Latina.

PALAVRAS-CHAVE
América Latina – Bolivarianismo – Globalização – Identidade – Nacionalismo – Neoliberalismo – Telesul – Televisão

Agosto 7 , 2008

Che, Marx e música

Em artigo comemorativo ao aniversário de 80 anos de nascimento de Ernesto Guevara (ocorrido em junho passado), o destacado cientista social argentino Atilio Borón publicou no site da emissora Telesur o artigo “El Che y la recreación del marxismo” no qual defende a necessidade de, nessa data de comemoração e resgate da memória desse herói, relembrar a relação entre Che e o marxismo, em detrimento da mercantilização vazia da figura do mito que ocorre constantemente nos dias de hoje.

Che Guevara, além do guerrilheiro romântico que lia Pablo Neruda e que abandonou a vida de classe média abastada para lutar por justiça em seu continente, também foi um dos mais relevantes pensadores marxistas latino-americanos, utilizando com originalidade os métodos de Karl Marx não só para interpretação da realidade do nosso continente mas, principalmente, como guia de ação para modificar a estrutura injusta da América Latina.

Outro escritor que ressalta as virtudes de Guevara em seu aniversário de 80 anos foi Frei Betto, em artigo publicado no site da agência Adital.

Quem se interessar pelo pensamento e projeto político de Che pode leia ainda o texto “La concepción de la revolución en el Che Guevara y en el guevarismo” de outro intelectual argentino, Nestor Kohan.

Che na Música

Pra não ficar só na política, vamos tratar também um pouco de música nesse post. Pra não fugir do tema, vamos falar também de Che Guevara. Aliás, vamos falar não, vamos deixar quem sabe dizer. Leiam o artigo da doutora em História pela USP, Mariana Martins Villaça, denominado “El nombre del hombre es pueblo: as representaçõs de Che Guevara na cancão latinoamericana”, que aborda as diferentes canções que homenageiam ou citam o herói. De presente pro amado leitor eu postei algumas dessas músicas para download pra quem quiser ouvi-las enquanto desfruta da leitura do artigo.

Um abraço!

Vitor Taveira

Julho 29 , 2008

Encontro de História das Américas em Vitória

Começa hoje à noite na Ufes o VIII Encontro Internacional da ANPHLAC, uma associação de professores e pesquisadores de história das Américas. O evento tem uma ampla programação e discute temas diversos, entre eles: intelectuais e questão indígena, cultura e arte na América Latina, globalização e movimentos sociais. As inscrições podem ser feitas até hoje, com preço de 20 reais para estudantes. Programação completa no site da ANPHLAC.

Vou participar e pretendo trazer alguns posts para os nobres leitores e para revitalizar esse espaço bloguístico.

Um abraço!

Julho 21 , 2008

Brasil Financiando a Inclusão do território Boliviano!

Rota: Copacabana-La Paz (Bolívia)

É, por exemplo, um feriado prolongado e você decide juntar a galera e descer para a praia. Os comentários são sempre os mesmos: “a gasolina tá cara”, “tem mais pedágio no caminho do que formiga no mel”, “ir de ônibus teria sido mais barato e menos estressante”! Agora pense e, se nada disso fosse provável de acontecer na sua vida, nem reclamações, nem estresse e nem viagem?

Pois é, se você for boliviano ou estiver passeando pelas bandas da Bolívia, esse é um problema que você não sofrerá, porque não existem, quase, estradas (asfaltadas então!) na Bolívia. Para chegar ao Paraguai partindo da Bolívia, é preciso ir para a Argentina e de lá seguir para o Paraguai e vice-versa. As poucas estradas que existem são de terra.

Estrada ruim, ônibus pior ainda!

Viajar de ônibus pelas estradas da Bolívia me fez lembrar dos dias de ônibus lotado em São Paulo, com a diferença que lá ninguém se oferece para segurar nada e as senhorinhas carregam seu próprio banquinho, - no caso de o ônibus lotar, e sempre lota -, e se você levantar o pé, elas aproveitam e colocam suas cadeirinhas no espacinho vazio e começam a tricotar e a fofocar com a amiga que também está sentada em uma dessas cadeirinhas.

Uma das ruas principais de Uyuni - Bolívia

Nunca havia passado pela minha cabeça que esse cenário pudesse existir! Ninguém nunca mencionou para mim que não existem estradas na Bolívia, essa descoberta foi chocante! Eu sei que há ‘fog’ em Londres, lixo espalhado nas ruas de Nápoles, mas não sabia qe a Bolívia estava isolada do mundo e das fronteiras.

A boa notícia é que empreiteiras brasileiras estão investindo na construção de estradas para os bolivianos e a agora, o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, acaba de anunciar que financiaremos 508 quilômetros de estradas que ligarão La Paz (capital da Bolívia) a Porto Velho (capital de Rondônia - Brasil). Essa iniciativa do governo brasileiro faz parte do projeto “Hacia el Norte”, o que permitirá a inclusão territorial e efetiva da Bolívia no cenário sul-americano.

Como o projeto bolivariano seria possível em uma América do Sul que não se comunica nem fisicamente o que dirá na política e na ideologia. Ainda bem que o cenário de exclusão da América do Sul por seus próprios integrantes começa a ser modificado.

Monica Dinah

Julho 18 , 2008

A América Latina Que Não Fala Espanhol!

Nem todo mundo na américa Latina fala espanhol e nem toda literatura latino-americana é Borges. Em Porto Príncipe, capital do Haiti, por exemplo, além do dialeto local, se fala oficialmente francês. Um de seus autores consagrados é Edouard Glissant. É deste senhor, ainda na ativa literária, que falarei a seguir.

Escritor antilhano, descoberto recentemente por mim, mas mesmo assim uma surpresa tão boa que senti a vontade de compartilhá-la com todos. O único livro que li dele até agora foi “La Lézarde” (algo como “O Rio”). Eu me identifiquei muito com este livro porque ele trata de temas elementares da Filosofia, quem ler minha biografia vai que sou filósofa de formação.

edouard glissant

Uma história de descobertas, paixões, política, amor, desafios que representam o caminho do herói com a finalidade de alcançar sua maturidade existencial por meio da descida em direção ao desconhecido. Esta poderia ser a descrição de qualquer romance si o autor não fosse Edouard Glissant, o que fez de “La Lézarde” o ganhador do prêmio Renaudot de literatura em 1958.

“La Lézarde” não é um romance comum pois ele é primeiro um romance antilhano, de um autor das Antilhas, nascido na Martinica mas que viveu e estudou vários anos na França. Glissant traz, portanto, para sua escrita o olhar do estrangeiro, do colonizado que procura seu país e sua cultura em todos os lugares do mundo. Assim, o calor, as disputas políticas serão o cenário para “La Lézarde”, narrativa que conta a história de Thaël, jovem solitário, para dentro de si mesmo.

“La Lézarde” é aparentemente um livro simples para ler, se não levarmos em consideração que a história da qual Glissant se serve para colocar em evidência seus questionamentos filosóficos e sua voz poética. A partir do jogo entre os opostos, Glissant conduz o leitor pelo jogo do olhar, esse olhar em falso que pode muito bem cegar uma comunidade assim como um cidadão. Qual é a verdade por trás da lenda? Em quem acreditar depois que a lenda é destruída? Estas questões “La Lézarde” não procura explicar, mas sim incitar como ponto de discussão na reflexão do leitor.

No momento em que o leitor terminar a leitura deste romance ele pode, o que não quer dizer que todos o farão, compreender a totalidade da obra.

Assim vemos que essa América Latina nos surpreende sempre e sempre. Para além das fronteiras físicas, barreiras culturais precisam ser ultrapassadas para se chegar a um acordo político entre as Américas.

MONICA DINAH

Julho 14 , 2008

Quem acredita…

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É, julho é “baum” por demais! Tô de férias, tô em casa, tô feliz!! =D Baêêêaaa! Porque foi lá que deixei meu coração!

E por falar em deixar coração… Aconteceu agorinha, na Colômbia, o que há muito esperavamos: o resgate de Ingrid Betancourt. Não, eu não vou falar aqui de tooooda a trajetória dela. Todo mundo sabe que a bem criada franco-colombiana resolveu sair de Paris, onde viveu grande parte da vida, para tentar melhorar sua terra natal. Lá lutou pelas causas humanitárias e se candidatou à presidência do país, quando foi sequestrada pela FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Como sinal de vida, Ingrid foi permitida escrever uma carta à mãe e aos filhos, que lutavam e mobilizavam o mundo pela sua causa. E é essa carta que me traz aqui. Coisa linda de se ler. Tão verdadeira que quase podemos ompartilhar os mesmos sentimentos. Depois de ler e reler, quis dividir. Se preocupe não, é só vontade boba mesmo…

“Quarta-feira, 24 de outubro
8h34
Uma manhã chuvosa, como a minha alma.

(…)A selva é bastante fechada por aqui, os raios de sol penetram com dificuldade. Mas é um deserto de afeição, de solidariedade, de ternura, e esta é a razão pela qual sua voz é o cordão umbilical que me ata à vida. Sonho poder lhe dizer “Mamãe, mamita, nunca mais você vai chorar por mim, nem nessa vida nem na outra”. Alimento-me todos os dias da esperança de estarmos juntas. (…) o seu sofrimento diário, o de todo mundo, faz com que a morte me pareça uma opção amena.

(…) Bom, como eu lhe dizia, a vida aqui não é a vida, é um desperdício lúgubre do tempo. (…) A cada dia, resta um pouco menos de mim mesma.

Quanto mais fortes somos, mais conseguimos alcançar nossos objetivos, mais as oportunidades se apresentam, maior é o mundo a que aspiramos (…) “

A carta é grande. Inúmeras páginas. Eu só tirei o que mais gostei. O que realmente tocou. Essa é uma história de vida cheia de lições, de garra e exemplos. Que cada um saiba que apesar dos pesares, ainda vale a pena!

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Mariana Anselmo

Julho 10 , 2008

Memória do Saque


Memoria del Saqueo (2004) é um documentário do cineasta Fernando “Pino” Solanas sobre a crise sócio-econômica que a Argentina enfrentou em 2001. Bem ao seu estilo, o diretor traça a linha que mostra como a adoção cega da cartilha neoliberal culminou na falência do país e levou milhões de argentinos para a miséria. Mostra o faturamento absurdo de bancos e grandes empresas e sua influência sobre os políticos do executivo e legislativo que não hesitaram em obedecer os mandamentos da ortodoxia econômica que viria a levar o país à convulsão social. É um filme que certamente consegue dizer muito mais do que longos e enfadonhos artigos acadêmicos.

É possível assistir Memória do Saque (ou do Saqueio, depende da tradução) no site Alba Multicanal. Demanda uma boa conexão de internet (demora para carregar) e uma razoável compreensão de espanhol, já que não possui legendas. Veja aqui.

Além desse documentário, o site disponibiliza também mais dois documentários de Solanas. La Dignidad de Los Nadies (2005) retrata o mesmo período e mesmo país que Memória del Saqueo, porém ao invés de abordar as artemanhas do poder para saquear a Argentina retrata aquelas pessoas comuns que estiveram remando contra a corrente na luta contra a destruição do país por esse modelo econômico.

La Hora de Los Hornos compõe uma trilogia lançada 1968 e é um verdadeiro clássico cinematográfico latino-americano e um grito contra o colonialismo e a favor da integração entre os povos irmãos da América Latina.

Pino Solanas é famoso por seu ativismo político e já foi deputado federal e candidato a presidência da Argentina nas últimas eleições.
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A música Sr. Cobranza, da banda Bersuit Vergarabat, despeja críticas ao sistema que culminou na crise porteña.

Seguem download e letra da música.

Julho 5 , 2008

Eduardo Galeano é escolhido cidadão ilustre do Mercosul

Notícia do excelente porta Carta Maior:
O escritor uruguaio Eduardo Galeano foi declarado hoje o primeiro Cidadão Ilustre do Mercosul, em reconhecimento à sua contribuição ‘à cultura, à identidade latino-americana e à integração regional’. A homenagem ocorreu em Montevidéu, em um ato público que reuniu personalidades da cultura e da política latino-americana.

Mais do que merecida homenagem. Eu que sou fã assumido aproveito pra deixar para vocês um vídeo com um texto desse escritor que curiosamente se tornou ilustre justamente por falar dos ninguéns. O texto abaixo está contido no Livro dos Abraços, que voltei a ler depois de abandoná-lo por um longo tempo A descrição contida na obra é perfeita: “a beleza e a emoção dos ‘pequenos’ momentos”. Isso que o autor retrata… pequenas e gostosas historinhas. É Eduardo Galeano em doses homeopáticas

“As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam supertições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”

E pra quem como eu não se cansa do Galeano, no vídeo abaixo o próprio escritor fala sobre o “direito de sonhar”. Esplêndido!

Vitor Taveira

Julho 1 , 2008

Carlos Latuff, desenho e política

Carlos Latuff é um desenhista brasileiro reconhecido em todo o mundo. Já utilizei suas charges em dois posts meus, um sobre o Haiti e outro em que o desenho dispensa qualquer palavra adicional. O jovem cartunista começou seu ativismo político depois de assistir a um vídeo sobre o movimento zapatista no México:

“Em 1998 eu tive contato com os zapatistas, que se deu através de um documentário na TV. Aquele movimento começou a abrir a minha cabeça para o meu papel como artista dentro de um contexto de transformação social, política. Então, esse ser politizado, esse artista engajado, nasceu a partir desse contato que eu tive, intelectual, porque eu nunca estive em Chiapas, infelizmente.”

Latuff já realizou diversas exposições no Brasil e no exterior, inclusive na Palestina. Sua charges retratam situações de opressão e resistência política com destaque para temas como imperialismo estadunidense, causa palestina, movimentos latino-americanos e violência urbana no Brasil. Separei alguns de seus desenhos que têm como temática a América Latina. Clique aqui para vê-las.

O próprio artista publica suas obras na internet e adota a licença copyleft, em oposição ao copyright (todos os direitos reservados). O nome é um trocadilho que brinca com as posições políticas direita e esquerda (right e left) e que libera os direitos para livre reproduçao.

Leia a entrevista de Latuff para Marcelo Salles, publicada no portal A Nova Democracia

Alguns sites com charges de Latuff
-http://latuff2.deviantart.com/
-http://www.normanfinkelstein.com/article.php?pg=11&ar=176
-http://www.flickr.com/photos/96755483@N00/